Cuide da sua vida

80 anos. Esta é a expectativa de vida das brasileiras ao nascer em 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já os homens brasileiros têm expectativa de 73 anos. Muitos acreditam que, considerando os exponenciais avanços na ciência e na tecnologia, este tempo pode ser até maior. Mas a ideia aqui não é falar sobre viver mais ou menos. A reflexão é sobre como viver o tempo que nos resta. Como cuidar da nossa vida.

Viver não é exatamente fácil. Somos cobrados o tempo todo para sermos bons em muitas coisas. É preciso ser um pai exemplar. Um bom marido. Se dar bem com toda a família. Ter sucesso na carreira. Nunca parar de estudar. Ser um bom líder ou parceiro de trabalho. Se alimentar bem. Praticar exercícios físicos regularmente. Dedicar um tempo para alguma atividade que traga satisfação pessoal. Ser um amigo presente. Recomenda-se também ter alguma espiritualidade. Ser generoso e solidário. Ser politizado. Pagar todos os impostos corretamente. Guardar dinheiro. Viver bem a vida hoje pois não se sabe o dia de amanhã. Enfim, são muitas cobranças. E temos que fazer isso tudo — preferencialmente — sendo magros, bonitos e bem vestidos. E bem-humorados. Impossível. Não dá pra ser bom em tudo o tempo todo. E, sim, tenho consciência que faço parte de um grupo privilegiado e que tem gente que enfrenta os mesmos desafios somados a outras dificuldades muito maiores. Não estou reclamando da vida. Estou apenas pensando sobre como cuidar melhor da minha. Quero — e preciso — viver bastante, ainda.

 

“Não permita que o comportamento dos outros tire a sua paz”.
Dalai Lama

 

É evidente que as opiniões de terceiros não devem pautar nossas escolhas e que ninguém é obrigado a ser nada disso tudo. Cabe a cada um de nós aceitar ou não essas cobranças ou também regular o peso de cada uma delas em nossas vidas. Talvez aí esteja o segredo de se viver bem: encontrar o equilíbrio entre o que queremos e o que devemos fazer. E nas situações em que o que quisermos fazer for o que devemos fazer, estaremos mais próximos da plenitude.

A chegada de alguns cabelos brancos também vai colaborando para que este equilíbrio seja atingido. Aos poucos vamos descobrindo satisfação verdadeira em realizar aquilo que precisa ser feito, mesmo que originalmente não fosse nosso maior prazer. Um exemplo disso, no meu caso, é fazer exercícios físicos. Eu gosto mesmo é do combo ar condicionado e Netflix à meia luz, mas fico muito feliz (muito mesmo) depois de terminar minha aula na academia, exausto e inteiro suado. Assimilei que não é uma opção: eu preciso fazer aquilo pela minha saúde. E minha saúde é importante para mim, para minha família e para meu trabalho. Ainda estou buscando o prazer durante a prática, mas o sentimento de ter concluído algo que era necessário é maravilhoso. Curiosamente também sinto isso ao pagar boletos. Já me disseram que sou tolo, mas acredito que se o pagamento é inevitável, o jeito é relaxar e pagar.

No trabalho tenho a sorte de viver a situação oposta. Eu preciso trabalhar — bastante — e amo o que eu faço. Tenho prazer autêntico nisso e procuro dividir esta satisfação com meus parceiros de trabalho. Como lidamos com pessoas, os sentimentos de prazer e realização variam bastante, de acordo com cada personalidade e os momentos de vida de cada um, mas busco criar um ambiente favorável para que todos se sintam bem e possam ser aquilo que desejem, independente do quê, onde e como. Isso tudo exige coragem pois gera movimento, chegadas e saídas, mas permite que a verdade se faça mais presente na vida de cada um e, como consequência, é possível sentir que a alegria prevalece. E quando a alegria se faz presente, é gostoso registrar e dividir com o mundo. Quando compartilhamos felicidade, colocamos mais força na onda de positividade.

Em todo fim de ano reflexões são inevitáveis. Como foram os doze meses que se passaram? E como serão os doze que virão? Não dá para saber. A única coisa que podemos fazer é buscar ter clareza sobre tudo o que queremos e que precisamos e trabalhar interna e colaborativamente para alcançar.

Cuidar da própria vida é o maior presente que alguém pode se dar. Em 2020, eu desejo que você cuide da sua vida. E que possa ter muitos momentos verdadeiramente felizes para registrar e compartilhar. O mundo agradece.

 

FOTOGRAFIA DE PETER HONNEMANN (Editada para B&W)
Ivan Malusá Romanini
Ivan Malusá Romanini
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