Break point

22/08/2022

Minha autoridade para falar sobre o tênis é zero. Mesmo assim vou arriscar, afinal, tenho assistido a muitos jogos nos últimos meses.

Que esporte, gente. Que esporte!

Ontem tive o prazer de assistir a dois jogos incríveis: a final feminina e a final masculina do aberto de Cincinnati. Na feminina, a francesa Caroline Garcia venceu a tcheca Petra Kvitov em uma atuação impecável em técnica e postura. Não vejo como resumir melhor. Vitória mais que merecida.

O início da final masculina indicava que o grego Stefanos Tsitsipas (sétimo colocado no ranking mundial) venceria Borna Coric (152º), que ficou oito meses sem jogar em 2021 por conta de uma cirurgia no ombro, mas o croata reverteu o jogo e ganhou por 2 sets a zero, incluindo um tie-break vencido sem sofrer nenhum ponto do adversário.

O que mais me encanta no tênis é como um único ponto pode ser determinante para reverter completamente uma partida. Talvez seja porque um único ponto pode ser o que desequilibra totalmente um jogador. Se em um esporte coletivo o psicológico de um atleta pode interferir na equipe, imagine o peso que isso tem em um esporte individual.

Um único ponto pode ser o resgate da confiança de um e a desestabilização de outro. Pode ser a diferença entre ganhar um jogo ou ter que jogar mais um set inteiro até a derrota. Um ponto vale ouro.

Nós, espectadores, tendemos a automaticamente deduzir que este ou aquele jogador sairão vencedores de uma batalha por conta do que estão apresentando até determinado momento da partida, mas até que acabe, um jogo nunca está 100% perdido (ou vencido). Uma quebra de serviço do adversário seguida da confirmação do seu podem provocar reviravoltas emocionantes e imprevisíveis.

Não existe match point sem break points. No tênis e na vida, é um ponto de cada vez.

Foto: Maurits Bausenhart

Ivan Malusá Romanini

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